Retiro minha recém adquirida comiseração com o catolicismo. Não vou mais contestar aspectos dogmáticos ou as diversas incongruências históricas inexplicáveis pelos arquivos estarem armazenados nos porões do Vaticano classificados como "Material Inofensivo, Porém Não Abra Essa Caixa Sob Pena de Excomunhão, Perseguição E Morte Misteriosa, Mas Não Indolor", deixo isso aos cristãos, que são os diretamente afetados. Não estou nem ligando se o Papa proíbe preservativos, anticoncepcional, sal marinho ou o que ele mais quiser dizer que foi o Satanás em demônio que inventou. O problema é o ritual. Por que tem que ser tão excruciantemente chato?
"O mestre mandou levantar. Agora, o mestre mandou sentar". Instruções sobre o que fazer, um roteiro das músicas, uma arenga interminável, sem contar as hilárias interpretações da bíblia que somente um profissional treinado poderia fazer; isso é a missa, o contato com Deus por meio do sacerdote. "Deus é o Sol, Jesus é os raios e o Espírito Santo é o calor". Essa foi a genial explicação que ouvi hoje de um padre para a confusão intraduzível que é a santíssima trindade (fugindo do tema, por que o Espírito Santo é "pomba" ao invés de "pombo"? Só porque pombo tem pixilinga, não quer dizer que ele também não tem sentimentos, isso é puro preconceito contra as criaturinhas de Deus).
Rituais maçantes que têm o óbvio objetivo de hipnotizar fiéis, automatizando seus movimentos durante a missa e conseqüentemente seus pensamentos. E que venha Moisés, Noé & Cia., entretanto, uma rápida análise na mitologia mais antiga mostra de onde vêm as histórias bíblicas (a greco-romana, a babilônica e a etrusca parecem ser as mais comuns). Os mitos estão todos lá, alegoria por alegoria, tendo sido escritos milhares de anos antes de terem sido formados o óvulo e o espermatozóide do agitador social que chamam de Jesus Cristo. Nem ao menos a idéia da manjedoura é nova!
Eu não imaginava a insensatez do catolicismo até presenciar uma missa direcionada às crianças. É simplesmente pavoroso impor aquele "levanta e senta" para crianças tão pequenas como as que eu vi hoje na igreja. Uma menina de uns cinco anos imitando exatamente o que os adultos estavam fazendo, inclusive as expressões "contemplativas" que alguns gostam de adotar como sinônimo de piedade. Como ela vai poder escolher, quando tiver plena consciência para isso, se desde a mais tenra idade foi programada para acreditar cegamente naquilo? Religião deveria ser como álcool. Só usa quem sabe o que está fazendo (supostamente uma pessoa de mais de 18 anos sabe o que faz).
Ingenuidade minha, por acaso a Igreja Católica Apostólica Romana quer que façamos escolhas conscientes? Desculpem-me por minha inocência. Prometo que não se repetirá. Vou me enrolar em minha cobertas para pensar em meus erros e me redimir. Pode ser que eu vá me confessar depois. "Desculpe padre, eu cometi um pecado terrível hoje, eu parti do pressuposto de que as pessoas são boas e de que as religiões permitem o pensamento racional (lágrima piedosa cai do olho esquerdo)".
Itunes: Pedro tentando me matar por poluição sonora usando um violão e um gato persa sendo torturado por chineses sádicos sodomitas (Ahn? Ah! Ele está cantando. Isso explica muita coisa)