sábado, 26 de maio de 2007

In nomine patris et filii et spiritus sancti

Retiro minha recém adquirida comiseração com o catolicismo. Não vou mais contestar aspectos dogmáticos ou as diversas incongruências históricas inexplicáveis pelos arquivos estarem armazenados nos porões do Vaticano classificados como "Material Inofensivo, Porém Não Abra Essa Caixa Sob Pena de Excomunhão, Perseguição E Morte Misteriosa, Mas Não Indolor", deixo isso aos cristãos, que são os diretamente afetados. Não estou nem ligando se o Papa proíbe preservativos, anticoncepcional, sal marinho ou o que ele mais quiser dizer que foi o Satanás em demônio que inventou. O problema é o ritual. Por que tem que ser tão excruciantemente chato?

"O mestre mandou levantar. Agora, o mestre mandou sentar". Instruções sobre o que fazer, um roteiro das músicas, uma arenga interminável, sem contar as hilárias interpretações da bíblia que somente um profissional treinado poderia fazer; isso é a missa, o contato com Deus por meio do sacerdote. "Deus é o Sol, Jesus é os raios e o Espírito Santo é o calor". Essa foi a genial explicação que ouvi hoje de um padre para a confusão intraduzível que é a santíssima trindade (fugindo do tema, por que o Espírito Santo é "pomba" ao invés de "pombo"? Só porque pombo tem pixilinga, não quer dizer que ele também não tem sentimentos, isso é puro preconceito contra as criaturinhas de Deus).

Rituais maçantes que têm o óbvio objetivo de hipnotizar fiéis, automatizando seus movimentos durante a missa e conseqüentemente seus pensamentos. E que venha Moisés, Noé & Cia., entretanto, uma rápida análise na mitologia mais antiga mostra de onde vêm as histórias bíblicas (a greco-romana, a babilônica e a etrusca parecem ser as mais comuns). Os mitos estão todos lá, alegoria por alegoria, tendo sido escritos milhares de anos antes de terem sido formados o óvulo e o espermatozóide do agitador social que chamam de Jesus Cristo. Nem ao menos a idéia da manjedoura é nova!

Eu não imaginava a insensatez do catolicismo até presenciar uma missa direcionada às crianças. É simplesmente pavoroso impor aquele "levanta e senta" para crianças tão pequenas como as que eu vi hoje na igreja. Uma menina de uns cinco anos imitando exatamente o que os adultos estavam fazendo, inclusive as expressões "contemplativas" que alguns gostam de adotar como sinônimo de piedade. Como ela vai poder escolher, quando tiver plena consciência para isso, se desde a mais tenra idade foi programada para acreditar cegamente naquilo? Religião deveria ser como álcool. Só usa quem sabe o que está fazendo (supostamente uma pessoa de mais de 18 anos sabe o que faz).

Ingenuidade minha, por acaso a Igreja Católica Apostólica Romana quer que façamos escolhas conscientes? Desculpem-me por minha inocência. Prometo que não se repetirá. Vou me enrolar em minha cobertas para pensar em meus erros e me redimir. Pode ser que eu vá me confessar depois. "Desculpe padre, eu cometi um pecado terrível hoje, eu parti do pressuposto de que as pessoas são boas e de que as religiões permitem o pensamento racional (lágrima piedosa cai do olho esquerdo)".


Itunes: Pedro tentando me matar por poluição sonora usando um violão e um gato persa sendo torturado por chineses sádicos sodomitas (Ahn? Ah! Ele está cantando. Isso explica muita coisa)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

CRI CRI CRI

- Paradinho aqui né?

- Ééé....

- E aí? Vai fazer o que hoje?

- Rapaz, sei não... A galera lá do morro largou a idéia pra mim dizendo que ia rolar um baile na pegada da ladeira.

- Sério?

- Sério...

- E esse negócio de baile aí é legal? Poxa eu nem lembro mais da última vez que eu fui num baile... Mas na minha época estourou com aquele filme... Como é mesmo o nome? Embalos de um sábado à noite!!!

- .... Você é quem diz...

- Qual o som que vai ter lá? Me diz aí! Os Bee Gees ainda tão na parada?

- Bijís? Eu nunca ouvi... Mas mesmo assim, acho que vai rolar U's Rolaxana, Raspadelas e um Dj novo ai, o Trolha 30.

- Vixe, tá parecendo mais elenco de filme pornô.

- Ah meu tio, tá dormindo no ponto hein?

- Pois é... Essa juventude de hoje não sei não...

- Liga não, um dia, quando você pegar uma nega cavala que nem eu descendo roçando na sua perna lá na hora você nem liga mais pra essas coisas... Num tem Bijís que ajude nessa hora!

- Certo... É eu acho que vou pensar nisso. Talvez eu dê um pulinho lá hoje, até pra fazer um social com a moçada né? Sabe como é... Divorciei agora e acho que to precisando dar um agito legalzão na minha vida...

- Epa, epa, epa. Num me venha com essas ladainha de corno manso pra cima de mim não que num rola. Homem que é homem tem que mandar a mulher ajoelhar e fazer direito! E disso que a gente gosta! De pegada!

- Ah tá. (pensamento: que galera é essa meu irmão!) Então tá bom. Vou me arrumar pra ir hoje lá. Saindo daqui eu vou direto no mercado comprar uma brilhantina nova, uma calça boca-de-sino e uma daquelas camisas maneiras, daquelas quadriculadas sabe como é?

- (pensamento: Ah! Mein Gott!!!) Que nada tio! Relaxa!

-Como assim relaxa?

-Precisa disso tudo não.

-Não? E como é que você vai?

- Oxi meu filho, saindo daqui já pra lá quebrar essas cadeiras que Deus me deu...

- !!!!!! Mas a gente tá na praia!!!!

- Ué? E que que tem?

- E você tá de biquini!!!!

- E daí?

- Daí que eu nunca vi ninguém ir de biquini pra festa nenhuma!

- Ouxi, tá por fora! Chegando lá vou pro banheiro, vou pegar essa saia de renda aqui, amarrar na cintura e tirar a parte de baixo do biquini! Só assim pra fazer estouro e alguém tirar uma foto e botar na internet!

-!!!!!!!!

Dias depois:

- Quanto tempo eu dormi?

- Dois dias, senhor.

- Onde eu estou?

- No hospital, senhor.

- Como vim parar aqui?

- Encontraram você desmaiado no Posto 9, senhor.

- AH! Eu me lembro....

Cinco minutos para repassar a conversa mentalmente.

- !!!!!!!!!!!

- Cuidado com a quina da mesa!!!!!

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Drama existencial inerente

Eu fico imaginando se todas as pessoas se perguntam sobre seu papel na vida, sobre a incongruência do universo. Hoje eu vi um filme com Let, um filme bem doido por sinal (I heart Huckabees), e esse filme me fez pensar um pouco sobre isso. Tem uma fala que eu achei massa: “Por que as pessoas só se fazem perguntas profundas quando algo de muito ruim acontece?”. Pense bem, a gente não vê muitas pessoas por aí se perguntando e divagando se o mundo vai mudar, se o ser humano vai parar de ser idiota e mesquinho. Só quando perdemos algo muito valioso (até porque o homem só fica triste quando perde ou deixa de ganhar) que pensamos na nossa existência, e poucas pessoas conseguem tirar boas conclusões disso. Só quando um pai morre ou uma namorada acaba que pensamos e refletimos se nossa vida realmente tem sentido. E, invariavelmente, descobrimos que não.

Pessoas geniosas e inteligentes (Nietzche, Schopenhauer, Epicuro, Montaigne) não precisam de muito para chegar a conclusões (ainda que diferentes entre si) sobre esses assuntos. Bom, o seguinte é que cheguei a certa conclusão e foda-se quem não concorda.

O que eu penso que acontece é bem influenciado por Schopenhauer (acho que o filadaputa é o filósofo dos leigos). Muitos dos nossos dramas, das nossas tristezas vêm do fato de acharmos que as pessoas seriam melhores se fossem iguais a nós mesmos. Eu acho que o mundo seria um lugar feliz se as pessoas parassem e pensassem no mal que fazemos à natureza (ressaltando o texto de Leo abaixo). Mas quem garante que isso é o certo? Que as pessoas deveriam concordar comigo? Deus? Alah? Se eu simplesmente parasse e tentasse entender a forma como a vida se engendra ao meu redor, se eu parasse de tentar convencer os outros do meu jeito e ouvisse os outros jeitos. Se eu tentasse compreender o mundo ao meu redor ao invés de tentar moldá-lo do meu jeito, na minha percepção de realidade, que sabe teria paz, quiçá felicidade. Essa foi uma lição que Luter tentou me passar a algum tempo e eu não havia percebido a magnitude disso.

Quem não fica realizado depois de entender algo que o aporrinhava? Quem não se sente bem depois de ler um bom livro? De ouvir uma boa música? De compor uma boa música?!?! O que quero dizer é que pelo conhecimento e pelo desenvolvimento intelectual, a gente consegue perceber a mesquinharia que controla o mundo à nossa volta. “A clareza dos fatos e das realidades é o princípio da paz e harmonia” – Pedro Sousa.

No filme, uma mulher ensina a um cara que o drama e o sofrimento humano são inerentes à nossa existência. E é certo. Uma ligeira felicidade é sempre acompanhada de uma tristeza ou uma longa apatia. Mas, e daí? Se os outros nos decepcionam, se não agem da forma que queremos e nos magoam, você não tem razão para se sentir triste por isso. Pare e pense porque ele agiu assim. Entenda. Controle sua raiva. Quase sempre você vai perceber que o motivo foi a forma que ele criado, que ele estava num dia ruim, que está com a unha encravada. Aí, chega a hora de ensinar a ele seu ponto de vista. Agora, se ele agiu de forma cruel e vil, dê um tiro na cabeça dele e pronto.

Let rebateu minha teoria com outra teoria dela e a gente discutiu um pouco mais sobre o assunto. Depois eu pósto ou ela mesma pósta. E, para terminar, no fim do filme tem uma cena massa. Os caras tão querendo protestar contra a construção de um prédio numa floresta e o protagonista disse que iria se acorrentar numa escavadeira. Aí o amigo dele vira e fala: " Eu tenho que levar as correntes?", ao que o protagonista responde: "Nós sempre levamos..."

Falei demais! E para os que esperam o resto da história, má notícia. Falta de Criatividade!


Trilha sonora: A vida no The Sims, Letícia Barros


“Minha maior decepção comigo mesmo foi no dia em que descobri que também estava sujeito à condição humana” Millôr

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Humano x Natureza ...

Nada de polêmica , apenas filosofando ....

Nos seres humanos convivemos em harmonia com a natureza (isso aconteceu num passado muito distante) ou somos uma praga que a faremos sucumbir (isso é o que nos somos)?

O homem de hoje pensa na natureza com uma “inimiga”, que está aqui para ser dominada e nos servir. Ela não é mais concebida como um lugar de manifestação divina, como era por muito tempo, mas sim como uma grande maquina que deve ser conhecida e dominada.

Nossos instintos e sentimentos humanos fazem parte dessa máquina. Assim também mecanizamos e reprimimos uma parte de nós mesmos. Ao mecanizar e desencantar a natureza, pouco a pouco também mecanizamos e desencantamos uma parte de nossas vidas. Podemos ter ganhado o universo através da ciência e da tecnologia , mas perdemos nossa alma. Nos tornamos mais libertos de algumas das nossas condições naturais, mas nos afastamos da fonte da vida, que é a natureza.

Os problemas ambientais e sociais na atualidade foram produzidos por nos mesmos, não podemos culpar a natureza por nada, ela é apenas uma vitima da arrogância humana. Quando o humano rompeu o velho pacto que unia o primitivo e seu habitat, se achando forte o suficiente para seguir as leis elaboradas por si mesmo, talvez ele não sabia que as conseqüências seriam tão catastróficas. Agora devemos reconsiderar essa posição, e assinar um novo pacto com a natureza que nos permita viver em harmonia com ela. Essa é melhor maneira de extrair do meio um rendimento que possibilite ao ser humano manter-se sobre a terra e fazer com que sua civilização progrida de forma saudável ao nosso planeta.

Só essa harmonia tornara possível salvar, simultaneamente, o ser humano e a natureza, dois lados, dois irmãos que por causa da ganância de um se separam. E é por isso que natureza deve ser salva não para rechaçar o ser humano, mas sim porque a salvação dela constitui a única probabilidade de sobrevivência material para humanidade.

Ostracismo

É... esse blog parou um pouquinho... Tá meio estático. Mas, perdoem-nos. Explicarvos-ei a nosso inefável situação. (palavreado bonito....)

Peu-> Maior parte do tempo preocupado com muitas coisas. Chega em casa tarde, não tem tempo de fazer nada. E vai dormir tarde. Motivo de muitos posts surgirem de insonias.

Let -> Muita inteligencia na cabeça, muita coisa pra falar, muita coisa pra pensar. Daí a escrever tudo isso é um grande passo.

Luter -> Dezenove horas por dia dormindo. E é sério. Não é brincadeira não. Acredite rapaz...

Leo -> Escrevo ou não escrevo? Pósto ou não pósto? Ser ou não ser?

Victor -> Suposto convidado, mas não aceitou ainda...

Pois é, esses motivos são pertinentes mas o blog ainda está ai, e pretende ficar durante muito tempo...